"Minha mãe me dizia: 'A gente vive e aprende. Depois a gente morre e esquece tudo'".
O sábio é George Foreman, na Piauí de outubro.
28/10/07
25/10/07
BIÓPSIA 2
Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando.
Clarice, a Lispector
Clarice, a Lispector
24/10/07
22/10/07
15/10/07
MARVADA CARNE

Simei Morais
No interior de São Paulo, o caboclo se convence mesmo que a modernidade chegou quando já não acha mais casa com banha de porco na lata, guardada na despensa. Isso ficou lá pelos rincões de Minas. E lá também, já é coisa de fazenda.
Pólo de pesquisa científica, de educação, e área em expansão para a tecnologia, Ribeirão não tem muito dessas coisas. Aqui e ali, só, que se tem alguma notícia da gordura suína preparada como nos moldes antigos, tirada na faca, alojada de um jeito que mantenha a carne intacta por meses.
Dizem os historiadores que a gordura está tão associada ao prazer porque, além de ressaltar o sabor dos alimentos, o homem primitivo sabia que dela ele teria reservas para tempos de caças magras. Coisa que nem precisa de explicação, para Mara Lúcia Ferreira, de 38 anos, doceira de Santo Antonio da Alegria.
- Ah, a comida com banha é diferente, sustenta mais. Se faz no óleo (vegetal), daqui a pouco sente fome, é mais fraca, afirma Mara, há sete anos fabrica doces caseiros, queijo fresco, meia cura e chancliche, que vende no Mercado Municipal, em Ribeirão.
Mãe de quatro filhos, ela garante que a preferência, em sua casa, é pela comida feita com a banha. A diferença, diz, não está só na "sustança".
- O sabor é muito gostoso, o arroz fica mais solto e com gostinho de carne de porco, aponta.
A própria Mara retira a banha do animal. Matar, ela não mata, "de jeito nenhum".
- Só galinha, eu mato, que aí é só destroncar, não tem mistério, conta.
O porco ela manda sangrar num conhecido. Mas ela mesma limpa o animal. Joga água fervente com abundância, tira o pêlo, abre o corpo do animal e continua lavando.
Com uma faca de cozinha bem afiada, separa a gordura da pele. Esta, ela salga e põe para secar por uns três dias, tirando do tempo só durante a noite. Põe também no forno, para ajudar a secagem. Aí deixa no vinagre por uns cinco minutos e joga no óleo quente. Eis a pururuca, boa para mandar com feijão, indica Mara.
Os pedaços com banha ela põe para fritar. Retira e pica a carne frita de toucinho para pôr na lata, e joga a gordura derretida por cima.
- É como no doce de figo, a calda sempre cobre a fruta. Então a gordura cobre a carne, explica.
Isso ela aprendeu com a mãe, que morava em sítio. A cada copo de arroz, usa uma colher da banha para refogar. Para meio quilo de feijão, quando cozido, vão de três a quatro colheres. Nem demora a derreter, diz a doceira.
- Aqui todo mundo gosta, mas não conheço mais muita gente que cozinha com banha. Eles acham que óleo é mais fácil, comenta.
Mara ainda cultiva outros hábitos que quase não se vê, mais, nas grandes cidades. No quintal, ela tem galinha caipira e semicaipira, que ela explica o que vem a ser.
- A semi está entre a de corte e a caipira. Você deixa 40 dias na ração, e depois solta para comer milho e verdura. A carne dela fica com o mesmo gosto da caipira, garante.Uma boa pedida para o semicaipira, ensina, é o frango acebolado.
- Corto bastante cebola e frito com uns dentes de alho, até quase queimar. Tem que ficar bem dourado. Então ponho um tablete de caldo de galinha e junto o frango, para cozinhar. Depois, só jogo cheiro verde, é uma delícia, diz.
NO AÇOUGUE
Quem não limpa o porco, compra toucinho pronto
Sai por menos de três reais para matar a vontade do gostinho caipira, se o colesterol permitir. No mercado municipal, o quilo custa dois reais e noventa centavos, mesmo preço do toucinho moído, também usado com a mesma finalidade, indica o açougueiro Paulo de Almeida Filho.
Diz que a maioria dos que compram é de gente mais idosa.
- Comida com banha sustenta mais, justifica.
Das conversas do balcão, sai a medida: é a mesma que se usa do óleo de soja, o dominante das cozinhas do Sudeste.
E como se pecado pela metade não tivesse efeito, ele ensina a preparar o torresmo, que, na boca do francês, ganha ares nobres e sai "écorces de porc".
RECEITINHAS BÁSICAS
Torresmo sem mistério
Corte o torresmo em tiras ou cubos, de acordo com a preferência. Coloque na panela água e óleo vegetal o suficiente para cobrir os pedaços. Para cada copo de água, um de óleo. Quando a temperatura estiver alta, junte o torresmo.
- A água vai cozinhar os pedaços, e quando secar, o óleo começa a fritura, que vai deixá-los crocantes, explica Almeida.
Advertência importante: não invente de colocar sal na panela, que o negócio começa a estourar como se fosse bomba.
Eis o segredo: quando os pedaços estiverem fritos, acrescente à panela um cálice de pinga. O efeito é a tão desejada pururuca.
No prato, fique à vontade para salgar o petisco.
Panceta à pururucaCom a panceta, faça o mesmo procedimento. Os pedaços vão ficar mais duros, porque tem mais carne. O quilo da panceta sai a seis reais e noventa centavos.
Para quem se amarra na pururuca, Almeida ensina a deixar a leitora assada com a aparência e a crocância que levam à gula.
Asse a peça normalmente, sem papel alumínio e com a barriga do animal para baixo. Não coloque limão nesse preparo, porque ele corta a gordura da peça, e estraga o processo da pururuca.
Depois de assada a carne, esquente um litro de óleo. Jogue um palito de fósforo dentro da panela; se pegar fogo, já está no ponto.
Com uma concha, regue as costas da leitoa vagarosamente, com o óleo quente. É nesse momento que a gordura forma as bolhas da pururuca. Aí é só retirar o óleo do fundo da fôrma, e servir.
No interior de São Paulo, o caboclo se convence mesmo que a modernidade chegou quando já não acha mais casa com banha de porco na lata, guardada na despensa. Isso ficou lá pelos rincões de Minas. E lá também, já é coisa de fazenda.
Pólo de pesquisa científica, de educação, e área em expansão para a tecnologia, Ribeirão não tem muito dessas coisas. Aqui e ali, só, que se tem alguma notícia da gordura suína preparada como nos moldes antigos, tirada na faca, alojada de um jeito que mantenha a carne intacta por meses.
Dizem os historiadores que a gordura está tão associada ao prazer porque, além de ressaltar o sabor dos alimentos, o homem primitivo sabia que dela ele teria reservas para tempos de caças magras. Coisa que nem precisa de explicação, para Mara Lúcia Ferreira, de 38 anos, doceira de Santo Antonio da Alegria.
- Ah, a comida com banha é diferente, sustenta mais. Se faz no óleo (vegetal), daqui a pouco sente fome, é mais fraca, afirma Mara, há sete anos fabrica doces caseiros, queijo fresco, meia cura e chancliche, que vende no Mercado Municipal, em Ribeirão.
Mãe de quatro filhos, ela garante que a preferência, em sua casa, é pela comida feita com a banha. A diferença, diz, não está só na "sustança".
- O sabor é muito gostoso, o arroz fica mais solto e com gostinho de carne de porco, aponta.
A própria Mara retira a banha do animal. Matar, ela não mata, "de jeito nenhum".
- Só galinha, eu mato, que aí é só destroncar, não tem mistério, conta.
O porco ela manda sangrar num conhecido. Mas ela mesma limpa o animal. Joga água fervente com abundância, tira o pêlo, abre o corpo do animal e continua lavando.
Com uma faca de cozinha bem afiada, separa a gordura da pele. Esta, ela salga e põe para secar por uns três dias, tirando do tempo só durante a noite. Põe também no forno, para ajudar a secagem. Aí deixa no vinagre por uns cinco minutos e joga no óleo quente. Eis a pururuca, boa para mandar com feijão, indica Mara.
Os pedaços com banha ela põe para fritar. Retira e pica a carne frita de toucinho para pôr na lata, e joga a gordura derretida por cima.
- É como no doce de figo, a calda sempre cobre a fruta. Então a gordura cobre a carne, explica.
Isso ela aprendeu com a mãe, que morava em sítio. A cada copo de arroz, usa uma colher da banha para refogar. Para meio quilo de feijão, quando cozido, vão de três a quatro colheres. Nem demora a derreter, diz a doceira.
- Aqui todo mundo gosta, mas não conheço mais muita gente que cozinha com banha. Eles acham que óleo é mais fácil, comenta.
Mara ainda cultiva outros hábitos que quase não se vê, mais, nas grandes cidades. No quintal, ela tem galinha caipira e semicaipira, que ela explica o que vem a ser.
- A semi está entre a de corte e a caipira. Você deixa 40 dias na ração, e depois solta para comer milho e verdura. A carne dela fica com o mesmo gosto da caipira, garante.Uma boa pedida para o semicaipira, ensina, é o frango acebolado.
- Corto bastante cebola e frito com uns dentes de alho, até quase queimar. Tem que ficar bem dourado. Então ponho um tablete de caldo de galinha e junto o frango, para cozinhar. Depois, só jogo cheiro verde, é uma delícia, diz.
NO AÇOUGUE
Quem não limpa o porco, compra toucinho pronto
Sai por menos de três reais para matar a vontade do gostinho caipira, se o colesterol permitir. No mercado municipal, o quilo custa dois reais e noventa centavos, mesmo preço do toucinho moído, também usado com a mesma finalidade, indica o açougueiro Paulo de Almeida Filho.
Diz que a maioria dos que compram é de gente mais idosa.
- Comida com banha sustenta mais, justifica.
Das conversas do balcão, sai a medida: é a mesma que se usa do óleo de soja, o dominante das cozinhas do Sudeste.
E como se pecado pela metade não tivesse efeito, ele ensina a preparar o torresmo, que, na boca do francês, ganha ares nobres e sai "écorces de porc".
RECEITINHAS BÁSICAS
Torresmo sem mistério
Corte o torresmo em tiras ou cubos, de acordo com a preferência. Coloque na panela água e óleo vegetal o suficiente para cobrir os pedaços. Para cada copo de água, um de óleo. Quando a temperatura estiver alta, junte o torresmo.
- A água vai cozinhar os pedaços, e quando secar, o óleo começa a fritura, que vai deixá-los crocantes, explica Almeida.
Advertência importante: não invente de colocar sal na panela, que o negócio começa a estourar como se fosse bomba.
Eis o segredo: quando os pedaços estiverem fritos, acrescente à panela um cálice de pinga. O efeito é a tão desejada pururuca.
No prato, fique à vontade para salgar o petisco.
Panceta à pururucaCom a panceta, faça o mesmo procedimento. Os pedaços vão ficar mais duros, porque tem mais carne. O quilo da panceta sai a seis reais e noventa centavos.
Para quem se amarra na pururuca, Almeida ensina a deixar a leitora assada com a aparência e a crocância que levam à gula.
Asse a peça normalmente, sem papel alumínio e com a barriga do animal para baixo. Não coloque limão nesse preparo, porque ele corta a gordura da peça, e estraga o processo da pururuca.
Depois de assada a carne, esquente um litro de óleo. Jogue um palito de fósforo dentro da panela; se pegar fogo, já está no ponto.
Com uma concha, regue as costas da leitoa vagarosamente, com o óleo quente. É nesse momento que a gordura forma as bolhas da pururuca. Aí é só retirar o óleo do fundo da fôrma, e servir.
12/10/07
MAMBEMBES FOGUETEIROS
Artistas do sinal fechado
Simei Morais, agosto de 2007
O sinal fecha e um outro vermelho ilumina pontos da avenida Nove de Julho com a Presidente Vargas. O rapaz magro de cabelo sarará corre ao centro, na frente da fila de carros, e risca um ferro no chão, como se multiplicasse o fogo. Toca as pontas de algodão de dois bastões no braseiro instantâneo, e começa as tripulias.
Esse é Luciano Santos, de 25 anos, nascido em João Pinheiro-MG, e rodado em quase todos os estados. Aprendeu malabarismo em Santa Catarina, há 6 anos. Há dois meses trabalha com fogo nos cruzamentos de avenidas, em Ribeirão. Faz parceria com Cristian Valensuela, de 27 anos, argentino de Missiones.
A vida deles passa nos faróis, em intervalos de 45 segundos. Nos cinco últimos segundos, apagam os bastões e passeiam entre os veículos. Vez em quando, a janela se abre para saltar um troco à mão. Agradecem mesmo quando nada vem.
“O melhor é ouvir uma palavra que te anima, põe pra cima”, garante Cristian. De uma educação quase aristocrática, o mambembe argentino fala cadenciado, num tom de voz comedido. Fazia enfermagem numa universidade quando “coisas da vida” o fizeram abandonar os estudos.
Don Juan
Resolveu fazer escola de circo, em Buenos Aires, há 7 anos, pouco tempo antes de vir para o Brasil. Nem sob insistência ele fala sobre os motivos que o trouxeram para cá. “Só volto para meu país para votar”, diz, evidenciando a politização pela qual os argentinos são conhecidos.
Tem elegância, o rapaz de cavanhaque. Tempo desses, foi trocar as moedas no caixa de uma farmácia da redondeza e apaixonou uma brasileira. Estão namorando, e a moça é razão por que o mambembe já está há nove meses na cidade.
Vavá
É a vez de Cristian fazer malabarismos, e Luciano aproveita o verde do semáforo para guardar os trocos e embeber os bastões na gasolina, num copo plástico de refrigerante.
Tem gingado até na voz, rouca e nasalada. O andar dele não se sustenta, balança diante de tanta magreza travestida de malandragem. O brasileiro é pura simpatia. Diz que não vence “atender” as patricinhas que param o carro para ele entrar. Vão dar um “rolê”, para as meninas se divertir.
“Pergunto o que elas vêem em mim, e elas dizem que eu tenho cheiro de homem, que estão cansadas de perfume importado”, gaba-se. O moço corresponde, solta a lábia no ouvido delas. “Digo que são lindas, que não tem mulher mais macia que elas. Tem que ser palavra doce, coisa verdadeira”, revela.
Mas ele não gosta só das meninas. Antes de se fixar em Ribeirão, Luciano passava, de viagem, pela cidade. Sempre gostou do “astral” local, mas se encantou com os moradores depois que ficou de vez, e ganhou os cruzamentos. “O povo daqui é muito humilde, muito gente, te recebe aberto”, conta.
Malabares
Outros 45 segundos começam. Os pensamentos dos motoristas nem precisam estar ali, mas ninguém tira os olhos do fogo ligeiro. Os bastões vão para o alto e, na queda, deslizam sobre os músculos magros do moço. Um suor cor de cinza tinge o rosto dele, a cada volta dos malabares.
Esse está sendo um dia médio. Num dia bom, chegam a tirar 50 ou 60 reais – em raves, cobram 70, por hora. O negócio vai mal quando levam 20 reais para casa, ou melhor, para o hotel.
Os dois moram num hotel do centro, próximo à Praça 15. E 15 reais são a diária que pagam, com direito a café da manhã. “Quando agente acorda no horário do café”, brinca Cristian.
Eles trabalham hoje para comer amanhã. “Pagar as responsabilidades”, recita Cristian, com um carregado sotaque. Não é raro passarem o dia com apenas uma boa refeição, feita à base de descontos num restaurante de comida a quilo.
O cruzamento de ruas que mais rende dinheiro para a féria dos malabaristas é na João Fiúza. Mas isso não quer dizer que seja o local preferido deles.
Se o dia é bom ou ruim, nem só a habilidade com os bastões influencia. O ânimo é a chave do negócio. Quando o rosto está festivo, eles contagiam mais os motoristas, explica o argentino.
“Por isso o mais importante não é mesmo o dinheiro. O melhor é quando alguém passa e diz ‘cara, continue, você é artista’”, relata.O clic do semáforo, audível aos pedestres, anuncia novo intervalo na jornada de Luciano e Cristian. Enquanto o fluxo dos carros pára, eles ostentam as habilidades inflamáveis. Mostram-se artistas, sob o mesmo formato livre que Shakespeare também atuava, como mambembe, antes de seus escritos ficarem famosos. Quando as máquinas voltam a rugir suas potências, os dois se resignam ao rescaldo dos malabares.
Simei Morais, agosto de 2007
O sinal fecha e um outro vermelho ilumina pontos da avenida Nove de Julho com a Presidente Vargas. O rapaz magro de cabelo sarará corre ao centro, na frente da fila de carros, e risca um ferro no chão, como se multiplicasse o fogo. Toca as pontas de algodão de dois bastões no braseiro instantâneo, e começa as tripulias.
Esse é Luciano Santos, de 25 anos, nascido em João Pinheiro-MG, e rodado em quase todos os estados. Aprendeu malabarismo em Santa Catarina, há 6 anos. Há dois meses trabalha com fogo nos cruzamentos de avenidas, em Ribeirão. Faz parceria com Cristian Valensuela, de 27 anos, argentino de Missiones.
A vida deles passa nos faróis, em intervalos de 45 segundos. Nos cinco últimos segundos, apagam os bastões e passeiam entre os veículos. Vez em quando, a janela se abre para saltar um troco à mão. Agradecem mesmo quando nada vem.
“O melhor é ouvir uma palavra que te anima, põe pra cima”, garante Cristian. De uma educação quase aristocrática, o mambembe argentino fala cadenciado, num tom de voz comedido. Fazia enfermagem numa universidade quando “coisas da vida” o fizeram abandonar os estudos.
Don Juan
Resolveu fazer escola de circo, em Buenos Aires, há 7 anos, pouco tempo antes de vir para o Brasil. Nem sob insistência ele fala sobre os motivos que o trouxeram para cá. “Só volto para meu país para votar”, diz, evidenciando a politização pela qual os argentinos são conhecidos.
Tem elegância, o rapaz de cavanhaque. Tempo desses, foi trocar as moedas no caixa de uma farmácia da redondeza e apaixonou uma brasileira. Estão namorando, e a moça é razão por que o mambembe já está há nove meses na cidade.
Vavá
É a vez de Cristian fazer malabarismos, e Luciano aproveita o verde do semáforo para guardar os trocos e embeber os bastões na gasolina, num copo plástico de refrigerante.
Tem gingado até na voz, rouca e nasalada. O andar dele não se sustenta, balança diante de tanta magreza travestida de malandragem. O brasileiro é pura simpatia. Diz que não vence “atender” as patricinhas que param o carro para ele entrar. Vão dar um “rolê”, para as meninas se divertir.
“Pergunto o que elas vêem em mim, e elas dizem que eu tenho cheiro de homem, que estão cansadas de perfume importado”, gaba-se. O moço corresponde, solta a lábia no ouvido delas. “Digo que são lindas, que não tem mulher mais macia que elas. Tem que ser palavra doce, coisa verdadeira”, revela.
Mas ele não gosta só das meninas. Antes de se fixar em Ribeirão, Luciano passava, de viagem, pela cidade. Sempre gostou do “astral” local, mas se encantou com os moradores depois que ficou de vez, e ganhou os cruzamentos. “O povo daqui é muito humilde, muito gente, te recebe aberto”, conta.
Malabares
Outros 45 segundos começam. Os pensamentos dos motoristas nem precisam estar ali, mas ninguém tira os olhos do fogo ligeiro. Os bastões vão para o alto e, na queda, deslizam sobre os músculos magros do moço. Um suor cor de cinza tinge o rosto dele, a cada volta dos malabares.
Esse está sendo um dia médio. Num dia bom, chegam a tirar 50 ou 60 reais – em raves, cobram 70, por hora. O negócio vai mal quando levam 20 reais para casa, ou melhor, para o hotel.
Os dois moram num hotel do centro, próximo à Praça 15. E 15 reais são a diária que pagam, com direito a café da manhã. “Quando agente acorda no horário do café”, brinca Cristian.
Eles trabalham hoje para comer amanhã. “Pagar as responsabilidades”, recita Cristian, com um carregado sotaque. Não é raro passarem o dia com apenas uma boa refeição, feita à base de descontos num restaurante de comida a quilo.
O cruzamento de ruas que mais rende dinheiro para a féria dos malabaristas é na João Fiúza. Mas isso não quer dizer que seja o local preferido deles.
Se o dia é bom ou ruim, nem só a habilidade com os bastões influencia. O ânimo é a chave do negócio. Quando o rosto está festivo, eles contagiam mais os motoristas, explica o argentino.
“Por isso o mais importante não é mesmo o dinheiro. O melhor é quando alguém passa e diz ‘cara, continue, você é artista’”, relata.O clic do semáforo, audível aos pedestres, anuncia novo intervalo na jornada de Luciano e Cristian. Enquanto o fluxo dos carros pára, eles ostentam as habilidades inflamáveis. Mostram-se artistas, sob o mesmo formato livre que Shakespeare também atuava, como mambembe, antes de seus escritos ficarem famosos. Quando as máquinas voltam a rugir suas potências, os dois se resignam ao rescaldo dos malabares.
09/10/07
CHE, HÃ?

Who is Che, baby?
Nove de outubro de 2007. Matando aula, Pêlo e Dú estavam do lado de fora da lan house, sem grana para entrar. Esperavam o Morcego, que devia uns trocos da última balada. Viram um reflexo da tevê na loja ao lado.
- Pô, parece que tão comemorando aniversário de morte do cara.
- Que cara?
- Aquele da camiseta do Barba, o CheMadruga.
- Tô ligado, muito doido. Seu Madruga, herói dos oprimidos, ele é o melhor.
- Cara, tô na comunidade Seu Madruga Era Roqueiro. Mó irado, os papos.
- Nossa, é aniversário de morte do Madruga?
- Ah, não sei, acho que só do outro.
- Putz, mó perda, acho que era "duka", já ouvi falar qualquer coisa da banda dele. Esses caras são muito malucos, vão logo na herô, em vez de usar umas balinhas.
- Se é aniversário dele, deve tá bombando na internet. Vou baixá MP3.
- Meu, pensando bem, sei não se era tão bom. Não gosto da Sandy, e eles tocaram juntos.
- Sandyjúnior?
- É, vi a camiseta do encontro, Sandynista. Era a Sandy com ele, segurando um charuto. Ela não fuma, nem usa estrelinha. É o cara.
- Pô, que phoda. O cara surge com um rock irado, e de repente, só para aparecer na Globo, grava com a Sandy. Já foi tarde.
Nove de outubro de 2007. Matando aula, Pêlo e Dú estavam do lado de fora da lan house, sem grana para entrar. Esperavam o Morcego, que devia uns trocos da última balada. Viram um reflexo da tevê na loja ao lado.
- Pô, parece que tão comemorando aniversário de morte do cara.
- Que cara?
- Aquele da camiseta do Barba, o CheMadruga.
- Tô ligado, muito doido. Seu Madruga, herói dos oprimidos, ele é o melhor.
- Cara, tô na comunidade Seu Madruga Era Roqueiro. Mó irado, os papos.
- Nossa, é aniversário de morte do Madruga?
- Ah, não sei, acho que só do outro.
- Putz, mó perda, acho que era "duka", já ouvi falar qualquer coisa da banda dele. Esses caras são muito malucos, vão logo na herô, em vez de usar umas balinhas.
- Se é aniversário dele, deve tá bombando na internet. Vou baixá MP3.
- Meu, pensando bem, sei não se era tão bom. Não gosto da Sandy, e eles tocaram juntos.
- Sandyjúnior?
- É, vi a camiseta do encontro, Sandynista. Era a Sandy com ele, segurando um charuto. Ela não fuma, nem usa estrelinha. É o cara.
- Pô, que phoda. O cara surge com um rock irado, e de repente, só para aparecer na Globo, grava com a Sandy. Já foi tarde.
(foto Camiseteria)
BICHO GATO
ESPERANDO ENGODÔ
AlphaNice
É agosto e o carteiro trouxe folheto
propaganda nova de mensagem conhecida
já recebi de tempos em tempos
sempre múltiplos de quatro,
nenhum a meu contento.
Belas plantas num traço fino,
mas as propostas seguem uma só ditadura.
Construções duma única arquitetura
Brasília: grande condomínio.
É agosto e o carteiro trouxe folheto
propaganda nova de mensagem conhecida
já recebi de tempos em tempos
sempre múltiplos de quatro,
nenhum a meu contento.
Belas plantas num traço fino,
mas as propostas seguem uma só ditadura.
Construções duma única arquitetura
Brasília: grande condomínio.
08/10/07
UMA FLOR NO MEIO DA RUA. FEIA. MAS FLOR.
Esse não foi publicado do jeito que veio ao mundo porque, segundo o editor, estava muito pesado, carregado e truncado. Me envolvi demais com o livro, ele diagnosticou.
Escrevi no meio de setembro.
Pra continuar no drama: uma mãe não questiona o filho tortinho, põe no mundo e acabou. Ei-lo, tortinho e tudo o mais. Quem ama o feio, so wonderful lhe parece.
De mágoas a muralhas
Premiado em contos, o escritor Menalton Braff faz um paralelo entre as barreiras que o homem constrói dentro de si e as fronteiras da humanidade, no romance A Muralha de Adriano
Por Simei Morais
Pelo menos três idéias perseguiram Menalton Braff por mais de década, pediram para virar livros. Duas resultaram em Castelos de Papel e Que Enchente Me Carrega?. Ele diz que quando a história vem, germina, se enriquece, agrega detalhes que não foram observados ainda. Se estiver na estrada, por exemplo, a condução do veículo não é impedimento para que a personagem deixe de visitá-lo. Pára o carro para resolver a questão do lampejo.
- Até que chega uma hora que atrapalha, confunde tanto a história com sua vida, que você tem que escrever.
A terceira idéia que alcançou Braff virou A Muralha de Adriano.
- É uma angústia muito grande, me sinto sufocado no mundo, afirma.
Refere-se aos impérios. E a angústia é maior porque ele está num país que estaciona na condição de periferia do império contemporâneo. E como prerrogativa imperial clássica, os muros se agigantam sem licença – ética ou poética – em territórios diversos. Isso é coisa de imperialismo.
São muros de todas as idades, tamanhos, extensões, idiomas. Todos muito firmes. Estão nos condomínios, na fronteira do México com os Estados Unidos, entre palestinos e israelenses. Quase esteve no Brasil, quando o governo do Rio de Janeiro, há três anos, quis murar as favelas, separando o mundo do morro da cidade maravilhosa.
A publicidade mostra bem isso, aponta Braff, destacando um recente comercial de carro importado em que tudo lá fora é caos, mas dentro do luxuoso sedã, “it’s fine”.
- Se eu me isolar, vou viver bem, prega o império.
Não poderia ter melhor ator para o filme de 30 segundos, senão o talentoso Kiefer Sutherland, intérprete de Jack Bauer, o agente que usa de tortura para preservar a América, na mundialmente famosa série 24 Horas.
- A maioria engole sem perceber que é droga, isso que me sufoca. Essa é a sociedade do consumo e do medo, uma cultura que estratifica cada vez mais a sociedade, desabafa o escritor gaúcho, radicado na pequena Serrana, ao lado de Ribeirão.
A falta de ar durou tanto que deu tempo de Braff escrever À Sombra do Cipreste, que levou o prêmio maior da literatura brasileira, em 2000, o Jabuti. Vieram ainda A Coleira no Pescoço, mais outro livro de contos e uma novela infanto-juvenil, que estão por publicar. Perseguição já alta, eis a questão: os impérios são eternos?
- Se fossem, o sufoco seria tão grande que o caminho seria o suicídio. A vida tem esperança porque o império não é eterno, afirma Braff.
Foram quase quatro anos escrevendo A Muralha de Adriano, desta vez, romance. O título é alusão ao monte de pedras que limitava o Império Romano, no século 2, numa linha que hoje é entre a Inglaterra e a Escócia.
Havia um tema, e ao esboçar o enredo, o autor criou personagens que vivem toda essa concepção de império e muros.
Em A Muralha, Braff transpõe, com sofrimento competente e rascante, as contradições das muralhas do mundo externo e macro, para as agruras indiscutíveis e perversas do interno.
- Essa angústia fica nas relações das personagens, nada de mim aparece, avisa Braff.
A angústia dilui-se no romance, até porque, se fosse dita, explícita, tornaria-se tese, pondera o autor. Apenas em um momento do livro o tema faz paralelos à sociedade globalizada sob a égide de um império e suas muralhas. É quando o historiador Mateus, uma das principais personagens, escreve artigos de jornal.
Por causa do incômodo, Braff estudou tudo quanto é império que já existiu. Queria entender os mecanismos, formação e declínio.
- Tive que ler Hobsbawn, os quatro imensos volumes de Ascensão e Queda do Terceiro Reich, o império português das navegações, e um enorme clássico sobre o império Romano, entre outros, enumera o escritor.
Em A Muralha, uma rede de supermercados é símbolo do império. Parece que, além do sujeito, os objetos, são, na verdade, pessoas.
Personagens encerrados em labirintos, sem muitas opções de movimentos. Uma angústia sem fim anunciada desde a tenra idade, para Verônica. Uma sentença de solidão para o pai, Tiago. Dois casos de morte, avareza, corrupção e incesto ainda permeiam a história de uma típica família “de tradição”, do interior.
- O homem solidário, a concepção de sociedade solidária, desapareceu. Hoje o homem é concorrente, é o homem em confronto com o homem, analisa Braff, sobre a angústia refletida na privacidade daquela família.
Lembra que o dominado passa a agir de acordo com a lógica do dominante. Nesses corredores estreitos entre as muralhas das personagens, em narrativa não linear, Braff sofreu. Passou capítulos inteiros às lágrimas, como os do doutorado de Mateus na Inglaterra, ao lado da mulher.
- Eles pulam a muralha, simbolicamente, superando barreiras, mas um deles acaba morrendo. Escrevi a passagem toda chorando. Escrever esse negócio demorou, não conseguia fazer mais do que um parágrafo por dia, revela.
Elas, as personagens, não são mais ficção, e estão na cabeça do autor. Ele se afeiçoa a todas e não as julga, como um pai, um criador.
- Ninguém é mocinho ou bandido, estimo por todos, são seres humanos. O bem e o mal habitam em todos, infelizmente alguns não sabem dominar o mal, justifica.
Braff fez essa literatura para sobreviver ao império.
O livro é findo, mas o lançamento traz a angústia de volta, diz o autor.- Ainda está cedo para saber se me livrei, mas a tensão psicológica dela já acabou, declara.
Escrevi no meio de setembro.
Pra continuar no drama: uma mãe não questiona o filho tortinho, põe no mundo e acabou. Ei-lo, tortinho e tudo o mais. Quem ama o feio, so wonderful lhe parece.
De mágoas a muralhas
Premiado em contos, o escritor Menalton Braff faz um paralelo entre as barreiras que o homem constrói dentro de si e as fronteiras da humanidade, no romance A Muralha de Adriano
Por Simei Morais
Pelo menos três idéias perseguiram Menalton Braff por mais de década, pediram para virar livros. Duas resultaram em Castelos de Papel e Que Enchente Me Carrega?. Ele diz que quando a história vem, germina, se enriquece, agrega detalhes que não foram observados ainda. Se estiver na estrada, por exemplo, a condução do veículo não é impedimento para que a personagem deixe de visitá-lo. Pára o carro para resolver a questão do lampejo.
- Até que chega uma hora que atrapalha, confunde tanto a história com sua vida, que você tem que escrever.
A terceira idéia que alcançou Braff virou A Muralha de Adriano.
- É uma angústia muito grande, me sinto sufocado no mundo, afirma.
Refere-se aos impérios. E a angústia é maior porque ele está num país que estaciona na condição de periferia do império contemporâneo. E como prerrogativa imperial clássica, os muros se agigantam sem licença – ética ou poética – em territórios diversos. Isso é coisa de imperialismo.
São muros de todas as idades, tamanhos, extensões, idiomas. Todos muito firmes. Estão nos condomínios, na fronteira do México com os Estados Unidos, entre palestinos e israelenses. Quase esteve no Brasil, quando o governo do Rio de Janeiro, há três anos, quis murar as favelas, separando o mundo do morro da cidade maravilhosa.
A publicidade mostra bem isso, aponta Braff, destacando um recente comercial de carro importado em que tudo lá fora é caos, mas dentro do luxuoso sedã, “it’s fine”.
- Se eu me isolar, vou viver bem, prega o império.
Não poderia ter melhor ator para o filme de 30 segundos, senão o talentoso Kiefer Sutherland, intérprete de Jack Bauer, o agente que usa de tortura para preservar a América, na mundialmente famosa série 24 Horas.
- A maioria engole sem perceber que é droga, isso que me sufoca. Essa é a sociedade do consumo e do medo, uma cultura que estratifica cada vez mais a sociedade, desabafa o escritor gaúcho, radicado na pequena Serrana, ao lado de Ribeirão.
A falta de ar durou tanto que deu tempo de Braff escrever À Sombra do Cipreste, que levou o prêmio maior da literatura brasileira, em 2000, o Jabuti. Vieram ainda A Coleira no Pescoço, mais outro livro de contos e uma novela infanto-juvenil, que estão por publicar. Perseguição já alta, eis a questão: os impérios são eternos?
- Se fossem, o sufoco seria tão grande que o caminho seria o suicídio. A vida tem esperança porque o império não é eterno, afirma Braff.
Foram quase quatro anos escrevendo A Muralha de Adriano, desta vez, romance. O título é alusão ao monte de pedras que limitava o Império Romano, no século 2, numa linha que hoje é entre a Inglaterra e a Escócia.
Havia um tema, e ao esboçar o enredo, o autor criou personagens que vivem toda essa concepção de império e muros.
Em A Muralha, Braff transpõe, com sofrimento competente e rascante, as contradições das muralhas do mundo externo e macro, para as agruras indiscutíveis e perversas do interno.
- Essa angústia fica nas relações das personagens, nada de mim aparece, avisa Braff.
A angústia dilui-se no romance, até porque, se fosse dita, explícita, tornaria-se tese, pondera o autor. Apenas em um momento do livro o tema faz paralelos à sociedade globalizada sob a égide de um império e suas muralhas. É quando o historiador Mateus, uma das principais personagens, escreve artigos de jornal.
Por causa do incômodo, Braff estudou tudo quanto é império que já existiu. Queria entender os mecanismos, formação e declínio.
- Tive que ler Hobsbawn, os quatro imensos volumes de Ascensão e Queda do Terceiro Reich, o império português das navegações, e um enorme clássico sobre o império Romano, entre outros, enumera o escritor.
Em A Muralha, uma rede de supermercados é símbolo do império. Parece que, além do sujeito, os objetos, são, na verdade, pessoas.
Personagens encerrados em labirintos, sem muitas opções de movimentos. Uma angústia sem fim anunciada desde a tenra idade, para Verônica. Uma sentença de solidão para o pai, Tiago. Dois casos de morte, avareza, corrupção e incesto ainda permeiam a história de uma típica família “de tradição”, do interior.
- O homem solidário, a concepção de sociedade solidária, desapareceu. Hoje o homem é concorrente, é o homem em confronto com o homem, analisa Braff, sobre a angústia refletida na privacidade daquela família.
Lembra que o dominado passa a agir de acordo com a lógica do dominante. Nesses corredores estreitos entre as muralhas das personagens, em narrativa não linear, Braff sofreu. Passou capítulos inteiros às lágrimas, como os do doutorado de Mateus na Inglaterra, ao lado da mulher.
- Eles pulam a muralha, simbolicamente, superando barreiras, mas um deles acaba morrendo. Escrevi a passagem toda chorando. Escrever esse negócio demorou, não conseguia fazer mais do que um parágrafo por dia, revela.
Elas, as personagens, não são mais ficção, e estão na cabeça do autor. Ele se afeiçoa a todas e não as julga, como um pai, um criador.
- Ninguém é mocinho ou bandido, estimo por todos, são seres humanos. O bem e o mal habitam em todos, infelizmente alguns não sabem dominar o mal, justifica.
Braff fez essa literatura para sobreviver ao império.
O livro é findo, mas o lançamento traz a angústia de volta, diz o autor.- Ainda está cedo para saber se me livrei, mas a tensão psicológica dela já acabou, declara.
PLANO PILOTO
Convergência vertiginosa
Um dia o concretismo quis se erguer no papel
Coisa estranha para quem cresceu sem concreto
Só que era profecia, que todo o concreto se ergueria
Em qualquer rua, viela, sem contar as avenidas
Passantes, móveis, mutantes, convergentes
Virtual sincrético e real
E não foi que o cenário se ergueu?
Lugar qualquer amplia a boca de cena
Deus meu, qualquer lugar está aonde quiser
Qualquer um sou eu.
Meu concretismo é inversamente proporcional à poesia concreta.
Quanto mais é a poesia, menos concreta sou eu.
Um dia o concretismo quis se erguer no papel
Coisa estranha para quem cresceu sem concreto
Só que era profecia, que todo o concreto se ergueria
Em qualquer rua, viela, sem contar as avenidas
Passantes, móveis, mutantes, convergentes
Virtual sincrético e real
E não foi que o cenário se ergueu?
Lugar qualquer amplia a boca de cena
Deus meu, qualquer lugar está aonde quiser
Qualquer um sou eu.
Meu concretismo é inversamente proporcional à poesia concreta.
Quanto mais é a poesia, menos concreta sou eu.
Assinar:
Postagens (Atom)

