Tinham infantis 1,30m cada um, não mais que isso. Uns 13 anos, cada, segundo os parentes de um deles, que acompanhavam. Os familiares do outro não apareceram. Saíram do camburão, com as mãozinhas pra trás, em dupla, atrás de outros dois que exibiam tamanho de adolescente.
O pessoal do Ministério Público está acostumado a ver moleque com pecha de delinqüente, mas não deixou de comentar.
“Ó o tamanho, vê só. Vejo sempre, isso, mas não me conformo”, disse o guarda mais velho, também o mais robusto, que tem cara de insuspeito senhor. Preto.
Disse que tem muito menino que pede pra ir “pra lá”, pra Febem – o nome ainda é o usual, mesmo tendo mudado para (ironicamente) Casa.
“No ‘xiribum’ em que moram, quase nunca têm as coisas, a mãe tá fora, trabalhando, a irmã não fez comida. Não tem pai em casa, vai encontrar pai na rua. Na rua, sempre tem um pai pras coisas erradas”, explica, firme e ternal. Vai ver ele é pai. Ou não teve um, um dia. Sabe ver bem, essa coisa de faltar alguma coisa.
O senhor guarda, e preto, sabe bem das ruas, das quebradas. “Já não vão trabalhar, porque o ‘sistema’ não deixa”, complementa. O sistema ferra mesmo o pobre, dou linha.
“Acha que não vão aceitar R$ 100 pra levar alguma coisa pro cara noutro lugar? Quando é que vão ter uma nota dessa?”, emenda o polícia, ajeitando os primeiros fios brancos debaixo do quepe.
Responde que já ouviu isso da boca deles, inclusive da intenção de se mandar pra Febem. Ter comida em horários certos, se ver livre do inferno que é no barraco, diz.
O promotor passa, cheio de pastas, apressado. “Oi, tudo bem?”, sorri pra mim, freando o passo ritmado. Todos me olham, os meninos algemados também. Retorno o cumprimento gentil e digo para ficar à vontade, reparando na ante-sala lotada, à espera dele.
O doutor manda os menores entrarem na sala. A mãe de um vai também, com bebê no colo. Os tios ficam de fora. “Sumiram ontem à noite, a gente foi procurar eles hoje, lá no NAI (Núcleo de Atendimento Integrado, pra onde vão primeiro), e aí já soube que tavam vindo pra cá”, contam. Chegaram junto com a viatura.
Ao que parece, os maiores não estão ali pela primeira vez. “Nem sei o que eles, os pequenos, fizeram, se estavam todos juntos. A gente vai saber agora”, confessam os parentes.
“Moça, moça, pode entrar. O doutor está te esperando”, me chama o outro guarda, mais jovem. Sigo para a pauta noutra promotoria, sobre a fila de mais de 6 mil que aguardam próteses dentárias do serviço público. O promotor que entrevisto investiga o caso e pressiona o governo para comprar dentaduras e pontes. Os pais daqueles meninos, será que eles têm dentes?
30/07/08
Gastuuuuuuuuuuura!

Saint Tim Festival faz o favor de trazer Kanye West na próxima edição do evento, em outubro. Claro que você o conhece, mas aqui vai um vídeo pra se esbaldar na pinta do estiloso. Se posicionamentos firmes (o cara é rapper, não podia ficar titubeando por aí) e elegância são requisitos tão necessários, nos tempos modernos, ele é o cara. Tanto que foi convidado pela Louis Vuitton pra desenhar uma coleção de sapatos. Também vai desovar uma coleção feminina!! Uhuuuuuu...Confira a estica cool do guapo no link abaixo.
Minha mãe vai ser avóóóóóóó!!!
Ainda falta muito, oito meses, mas ele virá. Pra mim, já veio. Não me sai da cabeça. Desde a notícia, já existe, tenho sua memória. Dedinhos, olhos puxados e sorriso do pai – sou coruja. Um pedaço de mim, porque é pedaço do meu irmão. Meu primeiro sobrinho. Menina ou menino? Coisa estranha, essa de adivinhação. Acho que é menino. Pelo menos assim nasceu, no meu primeiro instante de tia.
28/07/08
ver & ouvir
Som moderníssimo e inteligente. É da singalesa M.I.A. (eu falo 'mía', abrasileirado; e você?). Dualidades caprichadas: voz doce num rap (que geralmente é 'martelada') e sons de tiros acompanhados de caixas registradoras. Nisso, não pense só no clássico assalto de hot shopp, mas em que, por trás de toda fortuna, tem uma história FDP. Aproveite a rima.
http://www.youtube.com/watch?v=7sei-eEjy4g
http://www.youtube.com/watch?v=7sei-eEjy4g
19/07/08
Pára-brisa

Na Europa, os modelos setentistas para os óculos de grau já estão nas ruas - aqui, só nos escuros. Antenada, Garance Doré, ilustradora e fashionista, já postou em seu blog (http://www.garancedore.fr/) várias fotos de estilosos, nas ruas de France, com os grandes óculos de grau. Observadora, até ilustrou meninotas bonitas com os tais pára-brisas. (A foto e a ilustração estão no site de Garance).
Outro dia, torceram o nariz para os meus pára-brisas (apelido que um chefe deu). Disse à moça: "fique calma; isso estará na moda só daqui a uns três anos. Até lá, você acostuma".
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